Uma curiosidade a respeito de Windhoek, capital da Namíbia onde estamos esperando o visto, é o clima de deserto que pega a maior parte do país. Aqui a baixa umidade (principalmente no período de estiagem entre maio e setembro, quando a média de precipitações é praticamente zero) chega a doer, literalmente. A umidade chega a 12% e a pele fica super seca, chegando até a coçar e pedir por hidratante. Eu, que tenho a pele super oleosa, senti o que nunca sentido antes, a pele super ressecada. Aqui, pela primeira vez na vida, descontando as queimaduras solares, usei creme hidratante na pele. Me senti até um pouco mais feminino hehehe. O nariz tem sangrado frequentemente. Melequinha vermelhinha hehehe.
A amplitude térmica também é grande, apesar de o inverno fazer com que as temperaturas não subam muito, especialmente em Windhoek, onde a altitude é em torno de 1700 m. A máxima durante o dia chega aos 28 C e à noite baixa para os 7 C.
Apesar disso, a cidade é super agradável, limpa, organizada e com uma boa infraestrutura. A influência alemã ainda está presente, além do legado da dominação sulafricana, que, apesar do apartheid, trouxe desenvolvimento ao país. É um país que vale a pena ser visitado, com paisagens e vida animal bem exuberantes.
domingo, 22 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Ignorância que chega perto de assassinato
Semana passada Dr. Foster atendeu um rapaz de 16 anos que chegou com a barriga distendida e muitas dores. Como o exame clínico não dava para firmar o diagnóstico, e sugeria algo cirúrgico, ele foi levado às pressas para a mesa de cirurgia. Quando Dr. Foster abriu a barriga encontrou os intestinos cheios de folhas, com as alças intestinais em sofrimento. Ao conversar com a família,que omitiu a história talvez por vergonha, contaram então que o garoto havia passado pelos chamados “tratamentos tradicionais”, que no caso dele consistiram de terem sido feitas várias “lavagens” com ervas pelo reto, para tentativa de tratar algum tipo de dor de barriga. O tal tratamento levou o menino à morte, já que apesar de ter sido feita uma “limpeza” nos intestinos, houve necrose (morte de tecidos) dos intestinos, com todas as suas complicações catastróficas.
Fiquei muito triste, pois esse menino morreu por ignorância e falta de acesso a boa medicina. Aliás, isso é muito comum aqui, infelizmente. Os pacientes vão ao hospital “do Dr. Estêvão”, que tem uma boa reputação não só na cidade mas por todo país (muitos vêm de longe para consultar com ele), mas comumente passam primeiro pelos curandeiros e deixam a doença avançar até um ponto onde não é possível mais se tratar, ou quando as chances de sucesso do tratamento são muito pequenas.
Que Deus mude essa realidade!! Que Ele use por exemplo o programa de rádio que temos semanalmente (que parece ter uma boa audiência, notada pelos muitos telefonemas que recebemos ao vivo) para melhorar a consciência e o conhecimento básico sobre saúde. Que as pessoas saibam que os curandeiros não têm poder, e só o SENHOR, com a medicina a Seu serviço, pode realmente curar.
Fiquei muito triste, pois esse menino morreu por ignorância e falta de acesso a boa medicina. Aliás, isso é muito comum aqui, infelizmente. Os pacientes vão ao hospital “do Dr. Estêvão”, que tem uma boa reputação não só na cidade mas por todo país (muitos vêm de longe para consultar com ele), mas comumente passam primeiro pelos curandeiros e deixam a doença avançar até um ponto onde não é possível mais se tratar, ou quando as chances de sucesso do tratamento são muito pequenas.
Que Deus mude essa realidade!! Que Ele use por exemplo o programa de rádio que temos semanalmente (que parece ter uma boa audiência, notada pelos muitos telefonemas que recebemos ao vivo) para melhorar a consciência e o conhecimento básico sobre saúde. Que as pessoas saibam que os curandeiros não têm poder, e só o SENHOR, com a medicina a Seu serviço, pode realmente curar.
Fomos evacuados hehehe


Pois é, mais uma viagem à Namíbia. Dessa vez, porém, não precisamos da longa e dura viagem com o carro, enfrentando estradas muito ruins, longas distâncias, e toda burocracia, truculência e corrupção da fronteira. Aproveitamos uma carona com o avião da MAF (Asas do Socorro) e voamos para Windhoek. Foi uma viagem gostosa num pequeno avião Cessna, que durou cerca de 3 horas e meia (o avião grande faz em pouco mais de uma hora). Esperamos ficar pouco tempo na Namíbia, renovando logo os vistos e voltando para nosso trabalho e ministério.
Continuem orando por nós.
domingo, 8 de agosto de 2010
Feliz dia dos pais!
O título é também um desejo a todos os pais, mas, mais do que isto, é um testemunho. Hoje foi um dia bastante feliz. Não fiz nenhum passeio ou coisa parecida, aliás, trabalhei (como faço quase todos os dias pois no hospital só somos dois médicos que trabalham integralmente lá). O que fez o dia especialmente feliz foi uma homenagem que os meninos fizeram: cada um fez um cartão, expressando seu amor, carinho, admiração. Fiquei tão feliz, porque eles fizeram de coração e senti isso. Acho que o fato de estarmos aqui, onde não se encontra muita coisa para comprar e, quando se encontra é muito caro, os meninos trocaram os presentes usuais de dia dos pais (geralmente uma camisa, uma calça, um cinto, dependendo da minha necessidade detectada pela Norinha, e comprado tb por ela). Assim, na falta desses presentes, os meninos improvisaram e é claro que eu gostei muito mais.
Na vida, acho que todos sabemos que o amor, o carinho, a amizade, o apreço, valem infinitamente mais do que "coisas" que podemos adquirir, ou mesmo ganhar. No fim da vida, ninguém se importa se tem ou não tem "isto" ou "aquilo", e sim o quanto é amado, não é mesmo?
Sou muito feliz porque sou muito amado! Aliás, o consolo para quem não se sente amado é que, apesar de podermos ressentir a falta de amor por parte de pais, irmãos, amigos, amores, somos infinitamente amados por Deus, que quer se relacionar de forma real conosco. Jesus é a prova disto.
Feliz dia dos pais! Mesmo se você não é pai.
Na vida, acho que todos sabemos que o amor, o carinho, a amizade, o apreço, valem infinitamente mais do que "coisas" que podemos adquirir, ou mesmo ganhar. No fim da vida, ninguém se importa se tem ou não tem "isto" ou "aquilo", e sim o quanto é amado, não é mesmo?
Sou muito feliz porque sou muito amado! Aliás, o consolo para quem não se sente amado é que, apesar de podermos ressentir a falta de amor por parte de pais, irmãos, amigos, amores, somos infinitamente amados por Deus, que quer se relacionar de forma real conosco. Jesus é a prova disto.
Feliz dia dos pais! Mesmo se você não é pai.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Triste Dia. Triste mesmo.
Aviso: Se você não quiser ficar triste não leia esta postagem.
Ontem foi um dia triste no hospital. Logo na chegada o enfermeiro me avisou que uma paciente tinha passado mal à noite. Era uma paciente com câncer de bexiga, com uma grande massa na região inferior da barriga, que tinha tido convulsões. Fui ver e a paciente estava em coma, sem condições de ir para a cirurgia que estava planejada para aquele dia e caminhando para a morte. Possivelmente resultado de complicações pelo fato do rim não estar funcionando... O triste é que os pacientes vão para o hospital depois de meses, estou falando a verdade, meses, e até anos (!!) de sangramento na urina, ou vaginal ou de tumores crescendo muitas vezes de forma bem vizível e até com desfigurações no corpo, sem procurar atendimento médico ou passando por atendimentos em serviços do governo, sem nada efetivo ser feito. Acho que é uma combinação de ignorância, estoicismo, falta de possibilidades, falta de recursos financeiros, crenças místicas; tudo isso junto possivelmente. Aí eles chegam lá no hospital com quadros extremamente avançados, sem possibilidade de tratamento ou com poucas chances de sucesso.
Falei com a família sobre a situação e eles optaram por levar a paciente para casa, para estar com seus queridos em seus últimos momentos. Acho que fizeram certo.
Pouco tempo depois fui ver uma criancinha internada há uns dois dias, de um ano e meio, pesando 6,5 kg (o peso de uma criança de uns 6 meses), que chegou com muita diarréia e desidratação. Fizemos o teste do HIV e foi positivo. Iniciamos a hidratação venosa, antibióticos e tratamento para amebas (que estavam presentes nas fezes) mas a criança não estava indo bem. Naquela manhã começou com insuficiência respiratória e não conseguimos fazer muito por ela. Em pouco tempo faleceu. Fiquei tão triste com a minha impotência e confrontado com essa pesada realidade. Tentei me consolar pensando que se ela sobrevivesse provavelmente sofreria mais ainda, com infecções causadas pela AIDS e a desnutrição, com o descaso, com a falta de recursos em todos os sentidos. Fiquei ali tentando não chorar com a mãe, que ligou para o pai da criança e brigou com ele por não ter ido nem uma vez sequer visitar a menina, que naquele momento estava morrendo. Algumas horas depois da criança ter falecido chega o pai, bêbado, brigando com o hospital por "ter matado sua filha". Talvez querendo jogar em cima de nós um pouco da culpa que estivesse quase sentindo, ou tentando não sentir. Não sei se sabia que provavelmente ele havia passado o HIV para a mãe, que por sua vez infectou a criança (tínhamos oferecido para a mãe e para o pai o teste mas estavam relutantes...). Triste demais. Tragédia demais. Desgraça demais (com o perdão da palavra).
A Cruz de Cristo nos convida para de alguma forma "entrarmos" no sofrimento do mundo, e se não pudermos ser instrumentos de cura pelo menos podemos ser instrumentos de consolo, de paz, de amor.
Continuemos a orar pela África com os seus sofrimentos, pedindo que essa situação mude, e talvez a gente possa também ser instrumento de mudança, ou pelo menos de benção nesse lugar.
Ontem foi um dia triste no hospital. Logo na chegada o enfermeiro me avisou que uma paciente tinha passado mal à noite. Era uma paciente com câncer de bexiga, com uma grande massa na região inferior da barriga, que tinha tido convulsões. Fui ver e a paciente estava em coma, sem condições de ir para a cirurgia que estava planejada para aquele dia e caminhando para a morte. Possivelmente resultado de complicações pelo fato do rim não estar funcionando... O triste é que os pacientes vão para o hospital depois de meses, estou falando a verdade, meses, e até anos (!!) de sangramento na urina, ou vaginal ou de tumores crescendo muitas vezes de forma bem vizível e até com desfigurações no corpo, sem procurar atendimento médico ou passando por atendimentos em serviços do governo, sem nada efetivo ser feito. Acho que é uma combinação de ignorância, estoicismo, falta de possibilidades, falta de recursos financeiros, crenças místicas; tudo isso junto possivelmente. Aí eles chegam lá no hospital com quadros extremamente avançados, sem possibilidade de tratamento ou com poucas chances de sucesso.
Falei com a família sobre a situação e eles optaram por levar a paciente para casa, para estar com seus queridos em seus últimos momentos. Acho que fizeram certo.
Pouco tempo depois fui ver uma criancinha internada há uns dois dias, de um ano e meio, pesando 6,5 kg (o peso de uma criança de uns 6 meses), que chegou com muita diarréia e desidratação. Fizemos o teste do HIV e foi positivo. Iniciamos a hidratação venosa, antibióticos e tratamento para amebas (que estavam presentes nas fezes) mas a criança não estava indo bem. Naquela manhã começou com insuficiência respiratória e não conseguimos fazer muito por ela. Em pouco tempo faleceu. Fiquei tão triste com a minha impotência e confrontado com essa pesada realidade. Tentei me consolar pensando que se ela sobrevivesse provavelmente sofreria mais ainda, com infecções causadas pela AIDS e a desnutrição, com o descaso, com a falta de recursos em todos os sentidos. Fiquei ali tentando não chorar com a mãe, que ligou para o pai da criança e brigou com ele por não ter ido nem uma vez sequer visitar a menina, que naquele momento estava morrendo. Algumas horas depois da criança ter falecido chega o pai, bêbado, brigando com o hospital por "ter matado sua filha". Talvez querendo jogar em cima de nós um pouco da culpa que estivesse quase sentindo, ou tentando não sentir. Não sei se sabia que provavelmente ele havia passado o HIV para a mãe, que por sua vez infectou a criança (tínhamos oferecido para a mãe e para o pai o teste mas estavam relutantes...). Triste demais. Tragédia demais. Desgraça demais (com o perdão da palavra).
A Cruz de Cristo nos convida para de alguma forma "entrarmos" no sofrimento do mundo, e se não pudermos ser instrumentos de cura pelo menos podemos ser instrumentos de consolo, de paz, de amor.
Continuemos a orar pela África com os seus sofrimentos, pedindo que essa situação mude, e talvez a gente possa também ser instrumento de mudança, ou pelo menos de benção nesse lugar.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Colheita feliz

A Norinha estava super feliz hoje. Diante da dificuldade de se conseguir verduras e frutas aqui (hortifrutis aqui são caros e muitas vezes de qualidade ruim, às vezes trazidos da África do Sul, mesmo sendo o país de bom clima e solo... marcas da guerra... outras coisas também...) plantamos uma hortinha, e hoje colhemos bastante cenoura e alface, de boa qualidade e bem fresquinhos. Uma boa vantagem de se morar em casa com uma boa área em volta, coisa que o apartamento em BH não nos possibilitava. Benção dos céus, que faz a semente brotar, crescer e frutificar.
Na foto a Rachel está ao lado da Perpétua, nossa ajudante em casa, e as filhas do casal nosso vizinho (um português e uma alemã que trabalham aqui na área da educação), Mara e Timna, que "ajudaram" na colheita.
Amiga de Rottweiler?
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